REMINISCÊNCIAS DE LIBERDADE
I
Quatro esteio descascado
Que o tempo vai alisando
Eu fico aqui observando
O mundo dos quatro lados
Vejo irmãos desesperados
Vejo crianças morrendo
Crime dos mais horrendos
Neste mundo em disparada
Uns com tudo e outros com nada
Na sina de andar sofrendo
II
Vejo os gastos excessivos
Dos que exploram as maiorias
E as empreitadas mais frias
Dos tiranos e opressivos
Que prostituem e esmagam
Ouço os do povo que indagam
Até onde vai, até quando
E os insaciáveis se engrandam
Nos países que naufragam
III
Mas no fundo há sempre esperança
De alguma solução séria
Que acabe com esta miséria
E que restaure a confiança.
É o velho, é o moço, a criança
Que esperam tanto e não vêem
E os que mandam sabem bem
Que a esperança é uma quimera
E vão prorrogando a espera
Daqueles que nada têm
IV
Apelar para a consciência
Dessa classe dominante
Tem sido a minha meta constante
Neste jogo de paciência
Que determina a indigência
Produto deste modelo
Quem pode não quer fazê-lo
E assim a pátria mergulha
No buraco de uma agulha
Nunca passou um camelo.
V
Não é questão de nobreza
Nem de ser pobre ou ser rico
De ser paisano ou ser milico
Mas é, sim, uma questão de grandeza
Saber que falta na mesa
Do trabalhador, do operário
O mínimo necessário
E que este país, o brasil, milionário
Em benefício de alguns
Entregou seus bens comuns
Para o fundo monetário
VI
Mas não pensem os dominadores
Que vão manter a dominação
O povo que conhece a razão
Mesmo já estando cansado
Não vai se manter calado
Pois ainda tem dignidade
E sabe que a verdade
Pode tardar, mas virá
E não vão no mais “ se entregá “
Em nome da liberdade
POMPEO DE MATTOS
Deputado Federal
PDT/RS